Domingo, 1 de Dezembro de 2013
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JORNAL CORREIO DOS AÇORES

 

CARTA ABERTA A SUA EXCELÊNCIA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA

 

Por: Lino de Freitas Fraga 

Começo por informar a V. Exa., que, tenho grade orgulho de nunca ter votado em si, para nenhum dos cargos que o Senhor se candidatou, três vezes a Primeiro-Ministro e outras tantas a Presidente da República.

Lamento profundamente que, mesmo nunca tendo votado em si, sempre tenha vivido há minha custa estes anos todos.

Todas as cerimónias públicas e privadas que tem participado; Todas as inúmeras viagens que tem feito ao estrangeiro; Até a casa onde reside e todas as suas mordomias, são pagas há minha custa. O senhor tem vivido há minha custa e eu tenho pago tudo isto, e muito mais, para que V.Exª., como supremo magistrado da Nação, tenha o dever e a obrigação de defender, custe o que custar e a quem custar, os verdadeiros e reais interesses, dos mais de dez milhões de portugueses, em especial os mais desfavorecidos, cumprindo e fazendo cumprir a Constituição da República Portuguesa, conforme jurou na sua tomada de posse.

O senhor tem o dever e a obrigação de coagir este desgoverno, a cumprir a Constituição e caso ele não cumpra, só lhe resta demiti-lo!

Já em 2008, escrevi um artigo nos jornais, Correio dos Açores e As Flores, com o título: “SOCORRO SENHOR PRESIDENTE ”, onde chamava a atenção de V. Exª. para o descalabro em que Portugal se encontrava e que caminhávamos a passos largos para o abismo e afirmava: “…onde vai o tempo em que o Primeiro-Ministro de Portugal, Professor Aníbal Cavaco Silva, afirmava que estávamos no Pelotão da frente da UE…. E agora? …somos o carro VASSOURA.”

Mais à frente: “Senhor Presidente da República, decerto V. Exª., não quer ver os portugueses cada vez mais pobres e a viver na miséria. Estes políticos e este desgoverno… estão colocando o País à beira do colapso total.

Por isso, senhor Presidente, SOCORRO, ACUDA-NOS enquanto é tempo, V. Exª. não pode, nem deve, assobiar para o lado como se, não fosse nada consigo e deixar andar, ponha fim a esta derrocada, demita este Governo, porque se não o fizer, os portugueses jamais lhe perdoarão e ficará indelevelmente ligado, para sempre, à hecatombe económica e social para a qual caminha, a passos largos, o nosso País.”.

Mas, o que é que o senhor fez?

NADA!

Deixou o desgoverno de Sócrates levar o País para o fundo do abismo.

Neste seu segundo mandato, e com outro desgoverno, estamos cada vez pior, com a corda no pescoço que, cada vez aperta mais, até ao extermínio final e mais uma vez, o que é que o senhor faz?

NADA!

Será que V. Exª. desconhece o desemprego, as dificuldades, a fome e a miséria que está instalada em Portugal?

Não, não desconhece, nem mesmo os cegos e surdos desconhecem.

Eu, e centenas de milhares de portugueses, para ter uma reforma da função pública, descontei quarenta anos, dos quais três que estive ao serviço da Pátria, no Ultramar, tendo descontado sobre o que ganhava agora e não sobre os míseros cerca de 900 escudos que recebia em Angola, com a promessa de ter uma reforma para a minha velhice.

Mas, o que é que vejo agora?

O Estado que, devia ser pessoa de bem, e não é, falha com a sua palavra e está-me roubando aquilo a que eu tinha e tenho direito.

Sim, sim roubando, não há volta a dar nem palavras mais dulcificadas, é isso que este desgoverno esta fazendo!

Quem rouba, é ladrão, quem não cumpre com a sua palavra, é impostor e ponto final!

Já agora agradecia que me esclarecesse:

V.Exª. tem duas grandes reformas, uma do Banco de Portugal, outra de professor universitário.

O senhor descontou 36 ou 40 anos, para cada uma dessas reformas?

Senhor Presidente, em questões de reformas, são todos iguais mas, uns muito mais iguais que outros.

Os portugueses em geral mas, os açorianos em particular, estão fartos de si e não nutrem nenhum sentimento de simpatia por si.

Eu sei que o senhor é mais velho que eu e na nossa provecta idade, até podemos ter alguns lapsos de memória, o que é absolutamente natural, por isso, e embora não gostando, NADA, de si, vou dar-lhe um conselho.

Eu sei, eu sei, eu sei que o senhor não precisa dos meus conselhos para nada, até porque nunca se engana e muito raramente tem dúvidas mas, como o conselho é GRÁTIS, vou-o dar na mesma e de boa vontade.

Vete o Orçamento do Estado e se V. Exª. não tem coragem de o  vetar, envie-o para o Tribunal Constitucional, porque a Constituição é muito clara, nenhuma Lei pode ter efeitos retroactivos, seja a que pretexto for.

Agora se o Tribunal Constitucional considerar que, o orçamento no seu todo, ou em parte, é inconstitucional, só lhe resta demitir este des-Governo e de imediato demita-se também.

Sai com dignidade e eu pessoalmente ficar-lhe-ei muito muito grato mas, sem nenhumas saudades suas.

Açores Novembro de 2013.



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CORREIO DOS AÇORES 

                     

Director: Américo Natalino de Viveiros

26 de Novembro de 2013

CARTA ABERTA AO SENHOR

PRIMEIRO-MINISTRO

Por: Lino de Freitas Fraga

Senhor Primeiro-Ministro, estou profundamente zangado e desiludido, comigo próprio, de ter votado em si nas últimas eleições para a Assembleia da Republica.

Como diz um dos meus amores: “O Avô, já tem idade para ter juízo. Para que votou nele?”. Grande verdade mas, entre muitos outros, tenho o grande defeito, genético, de acreditar nas pessoas.

Devo confessar, também, que o meu voto nas últimas legislativas foi mais um voto anti-Sócrates, do que realmente um voto para o Paços Coelho e na carta aberta ao senhor Presidente da Republica está bem claro a minha aversão ao desgoverno de Sócrates.

Não me perdoo, jamais, de ter votado em si mas, o senhor enganou-me, aliás, enganou centenas de milhares de eleitores portugueses que, hoje, puxam os cabelos do erro que cometeram.

Sim, o senhor enganou-me e, digo-lhe com toda a frontalidade, que quem me engana uma vez, não me volta a enganar.

Tudo o que prometeu que iria fazer diferente e melhor que Sócrates, depois de chegar ao poleiro fez precisamente o contrário.

Vou dar-lhe apenas dois exemplos para não me tornar fastidioso para os leitores:

O senhor afirmou na campanha eleitoral e nas televisões, que não tocaria nos subsídios de férias e Natal, nem baixaria as pensões e reformas.

 

Depois, bem, depois, deixou cair a máscara e só não fez ainda pior, porque o Tribunal Constitucional não deixou.

O senhor faltou, garantidamente, à verdade o mesmo é dizer que, mentiu aos eleitores portugueses e não me venha dizer que não sabia que ia encontrar as finanças públicas como encontrou, porque isso é mais uma inverdade=mentira. Inverdades+Mentiras=Mentir!

Centenas de milhares de portugueses, para terem uma reforma, descontaram, 36, 40, 45 ou mais anos, muitos milhares descontaram os anos que estiveram ao serviço da Pátria, no Ultramar, sobre o que ganhavam quando pediram a contagem do tempo e não sobre os míseros escudos que recebiam na guerra, com a promessa do Estado Português, de terem uma reforma para as suas velhices, de acordo com o que ganhavam, obviamente.

Mas, agora, o que é que vêm estas centenas de milhar de portugueses?

O Estado Português que, devia ser pessoa de bem e não é, falha com as suas promessas e está-nos retirando, aliás, roubando, aquilo a que tínhamos e, temos, direito!

O senhor não faz a menor ideia do que é a vida fora da redoma em que vive, à minha custa, muitos anos na Assembleia de República e agora como PM;

Não sabe o que é ser pobre e viver com reformas de miséria;

Não sabe o que é ver os filhos com fome e não ter dinheiro para comprar alimentos para os saciar;

Não sabe o que é ter a certeza de não ter um futuro, para si e para os seus filhos;

Não sabe o que é ser velho e doente e, a reforma não chegar para comer e medicamentos e ter que optar entre morrer à fome, ou morrer sem a medicação;

Enfim, o senhor não sabe nada da vida real;

O senhor, não sabe nada de nada, além de estar impreparado para o cargo e de não passar de ser um produto de plástico fabricado por agências de imagem;

Ao longo de três orçamentos que impõe duríssimos, sacrifícios aos contribuintes e não acerta uma, estamos cada vez pior.

 

Estou zangado comigo próprio e não me perdoo, sim senhor, porque sinto-me envergonhado de, com o meu voto, ter ajudado o senhor e os seus amigos a chegarem ao poder, traindo assim, involuntariamente, a memória de Francisco Sá Carneiro e dos fundadores do partido, já falecidos que, decerto estarão às reviravoltas nos seus túmulos, por verem o senhor e o seu desgoverno a destruir o País, a fazer do PSD um embuste e verem arruinar o seu partido do Minho ao Algarve e Trás-os-Montes ao Corvo, nas mãos de incompetentes.

O senhor está pago e bem pago, à minha custa, para trabalhar e resolver os problemas do País mas, já provou que, dado a sua incompetência, não é capaz de o fazer, por isso demita-se e já vai tarde.

Senhor Primeiro-Ministro, porque já fez mal demais a Portugal e aos portugueses, demita-se já.

Vá embora já, porque está sendo o coveiro do País e do PPD de Francisco Sá Carneiro.

Açores, 26 de Novembro de 2013



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Quarta-feira, 3 de Março de 2010
UM GRITO DE REVOLTA – BASTA

07 de Fevereiro de 2010

CRÓNICAS DA GUERRA

UM GRITO DE REVOLTA – BASTA

Por: Lino de Freitas Fraga

No dia 07 de Dezembro de 2008, escrevi um artigo com o título “VIDA DESTRUÍDA ALMA COM VIDA”, relacionado com o nosso camarada/amigo Gilberto Sousa.

O popular Gilberto de S. Roque, que no dia 02 de Agosto de 1969, com apenas 21 anos, casado e com um filho de 7 meses, ficou sem as duas pernas, ao serviço da Pátria, nos matos da Guiné, razão pela qual lhe foi atribuída, por direito, uma pequena viatura, (moto de três rodas), para se poder movimentar.

Já quando o entrevistei para o citado artigo, o Gilberto havia manifestado o seu desagrado, pela forma como os apoios na assistência médica e medicamentosa vinham a ser reduzidos e a cada vez maior demora nas reparações da sua pequena moto, até para substituir um pneu, fruto de uma burocracia desenfreada que dificulta a vida a todos aqueles que o estado tem, ou pelo menos devia ter, a obrigação de auxiliar.

No mesmo artigo escrevi: “É impressionante a sua força interior, mesmo com a adversidade que lhe bateu à porta, não se deixou abater e foi em frente,…”. No entanto, qual não foi o meu espanto quando há dias visitei o camarada/amigo Gilberto e fui encontrar um homem amargo, desmotivado, descrente e quase desesperado e a razão é muito simples de explicar.

No final de Agosto, princípio de Setembro de 2009, a moto avariou e infelizmente os seus receios confirmaram-se. Gilberto dirigiu-se várias vezes, ao Campo Militar de São Gonçalo, para tentar resolver o problema, mas sem sucesso.

Como o tempo passava e nada se resolvia, tentou junto das mais altas entidades militares solucionar o impasse. Mas, a verdade é que passados cinco (5) meses o problema persiste, apesar de ter recebido promessas e palavras de compreensão, mas destas está o inferno cheio.

O que é facto é que Gilberto continua “preso”, em casa, como uma ave em cativeiro e completamente dependente dos filhos para se poder movimentar.

Que raio de País é este?

Que raio de Pátria é esta que ignora os seus heróis?

Que raio de Pátria é esta que, despreza aqueles que ao seu serviço, viram o seu futuro destruído deixando partes do seu corpo e do seu sangue em terras de África?

Que raio de Pátria é esta que, condecora desertores, traidores e até assassinos, mas esquece daqueles que a defenderam onde e quando necessitou?

Que raio de Pátria é esta onde, parece que só têm lugar profissionais da mentira, parasitas, incompetentes, delatores, corruptos, etc?

Que raio de Pátria é esta que, diz não ter dinheiro para pagar 130€ por ano de complemento de reforma aos seus Veteranos de Guerra, mas tem milhares de milhões de euros (€) para tapar buracos em bancos privados como BPN, BPP e outros, provocados por banqueiros corruptos?

É tempo de dizer BASTA!

Haja vergonha, haja dignidade, haja consideração e haja respeito pelos que se perderam defendendo a Pátria!

De uma coisa podem estar certos, não vamos parar e se este assunto não for resolvido rapidamente, levá-lo-emos ao conhecimento de Sua Excelência o Senhor Presidente da República, que é, também, o Comandante Supremo das Forças Armadas.

 

P.S.– Peço desculpa, aos nossos leitores, pela impetuosidade das minhas palavras, mas se não o fizesse, alem de explodir, sentir-me-ia cúmplice com tão indigna situação.

 



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HONRARAM A PÁTRIA MAS A PÁTRIA IGNORA-OS

13 de Dezembro de 2009

CRÓNICAS DA GUERRA

HONRARAM A PÁTRIA MAS A PÁTRIA IGNORA-OS

Por: Lino de Freitas Fraga

O nosso camarada/amigo, Guerry, nome fictício, nasceu numa das, chamadas, ilhas pequenas, mas devido às débeis condições económicas da família, cresceu a saltitar entre as ilhas de S. Miguel, Terceira e S Maria, não necessariamente por esta ordem.

Mesmo com muitas dificuldades, os pais, conseguiram que tirasse o 5º. Ano do Liceu.

Ainda com 20 anos, Guerry, foi chamado para o serviço militar obrigatório, nas Caldas da Rainha, onde tirou a recruta do Curso de Sargentos Milicianos, (CSM), finda a qual seguiu tirar e especialidade de Comandos.

Pouco tempo depois de terminar o CSM e a especialidade de comandos, foi mobilizado para a Angola como Furriel Miliciano, integrado numa companhia do Continente, sendo colocado no Grafanil. Pouco depois começaram as operações nos matos.

Ao longo destas conversas, algumas têm sido muito difíceis e mesmo dolorosas para os nossos interlocutores e até para nós que, nem sempre, ou quase nunca, conseguimos abstrair-nos das situações penosas com que nos deparamos. A de hoje, não fugiu à regra, foi muito complicada dado o seu estado psicológico. Só depois de longos minutos de conversa, conseguimos colocar as perguntas habituais sobre o que mais o tinha marcado. Guerry ficou algum tempo calado, como que a meditar sobre o passado, fumou um cigarro e respondeu com alguma dificuldade. “Foram tantas situações que nem sei por onde começar, participei em operações, não sei bem a conta, mas cerca de sessenta, em todo o Norte e Leste de Angola,” faz pausa mais uns instantes e recomeça, “…logo na segunda operação sofremos um ataque numa picada e tivemos dois feridos ligeiros. Dias depois, fomos numa operação destinada a destruir um acampamento, quando já estávamos muito perto fomos atacados e o colega que ia ao meu lado foi atingido com um tiro na cabeça, tendo morte imediata, fiquei todo coberto de sangue. Quando vi que tinha a cabeça desfeita, corri como um louco, mais alguns colegas, até o acampamento e destruímos tudo, não restou nada nem ninguém.” Guerry de repente cala-se, as lágrimas correm pelo rosto enrugado e fica em silêncio, durante vários minutos. A muito custo recompõe-se e continua. “Sabes, eu quando vi o meu colega morto, fiquei completamente paranóico, só queria era destruir aqueles filha da (….) disparei sobre tudo e todos. Só horas depois de regressar ao quartel, é que acalmei e comecei a pensar em tudo o que tínhamos feito naquele acampamento. Tive várias noites sem conseguir dormir”. Voltam as lágrimas e fica deprimido.  Depois, conta pormenores que, devido à sua violência não descrevemos.

Guerry sofreu muitos ataques e caiu em várias emboscadas, mas uma marcou-lhe a vida militar. “Sempre que íamos em missões para o mato, eu não gostava de levar a G3, mas sim, outra metralhadora (MG-42), era mais pesada mas fazia grande serviço. Um dia, estávamos em pleno combate, eu estava semi-ajoelhado para poder tirar maior rendimento da arma e o Alferes chamou-me besta e para me deitar no chão, eu que já estava com a cabeça quente apontei-lhe a 42 e disse-lhe que se voltasse ao fazer, era um homem morto, ele calou-se. Dias depois de regressarmos ao aquartelamento, fui chamado ao Capitão que me disse que o Alferes tinha participado de mim. Fui para uma companhia de africanos mais uns meses”.

Guerry foi ferido duas vezes, a primeira sem gravidade, só pequenos estilhaços, alguns dos quais ainda hoje “guarda” no corpo, mas da segunda foi mais grave. “Eu já estava na companhia dos meus amigos africanos, grandes Homens e grandes Amigos, íamos acabando de atravessar um riacho, quase seco, quando fomos atacados pelo inimigo, alguns colegas foram atingidos, corri, desesperadamente, a fazer fogo, para tudo o que se mexia, acompanhado por alguns camaradas, só paramos depois de os aniquilarmos todos. Quando regressamos para junto dos colegas feridos, onde haviam dois mortos, é que me disseram que eu tinha a perna direita cheia de sangue e as calças rotas, afinal tinha sido atingido na perna sem dar por isso, não foi muito grave, mas fui evacuado contra a minha vontade e fiquei com alguns danos na articulação dos dedos, porque o tendão foi atingido”.

Pela sua acção nesta operação, adicionada a muitas outras e que, por motivo de espaço, não podemos descrever, foi-lhe atribuída a Cruz de Guerra, a qual nunca lhe foi entregue por razões que ele desconhece, mas que também não quer falar mais disso.

A muito custo fala da despedida dos pais, que não tinham mais filhos. Com as lágrimas nos olhos diz: “Coitados, muito sofreram. Para não os atormentar mais do que já estavam, nunca lhe mandei dizer que tinha sido ferido, só quando regressei é que souberam, mesmo assim minha mãe fartou-se de chorar”. Aqui, descontrola-se e chora, convulsivamente, durante vários minutos.

Depois de regressar, Guerry casou e emigrou para o Canadá, onde viveu mais de trinta anos. Não tem filhos porque, segundo afirma: Durante anos eu não queria ter filhos com receio que pudessem vir a passar pelo mesmo que eu passei na guerra e depois já não foi possível.. A esposa faleceu, de doença súbita, ainda no Canadá, o que o levou a regressar aos Açores, onde vive só.

Guerry vive, constantemente, atormentado pelo passado, não passa uma noite que não tenha pesadelos com a guerra. “Eu não consigo dissociar-me do meu passado da guerra, este persegue-me constantemente, por mais que tente não consigo. Eu vou todos os dias passar a tarde com os amigos ao Largo da Igreja, para distrair, mas ao fim da tarde, quando regresso a casa e entro ao meu portão para dentro, abate-se sobre mim uma tristeza e uma angústia enorme. Por vezes, a solidão é devastadora”.

Quando perguntamos se tinha regressado igual ou diferente, responde: “Óh meu amigo, depois de tudo o que passei nos matos de Angola, sede, fome, ver morrer camaradas/amigos com 21 anos a meu lado e sem nada poder fazer, matar pessoas a sangue frio e sem dó nem piedade, porque era a Lei da guerra, matar para não morrer, eu nunca mais podia ser o mesmo. Ainda hoje, estou sempre vendo a expressão de medo e de terror, daqueles a quem eu apontava a MG-42, tinham a morte estampada no rosto e no olhar. Coitados, também foram vítimas de uma guerra estúpida, como, aliás, são todas as guerras”.

Há mais de trinta anos que terminou a guerra para o País, mas para os Veteranos da Guerra do Ultramar e para as suas famílias, já o escrevi, mas repito, os malefícios desta guerra perduram e perdurarão até ao fim dos seus dias.

Guerry em termos económicos, vive razoavelmente, devido à sua reforma do Canadá, mas em termos psicológicos vive numa situação angustiante para qualquer ser humano.

 

P.S: - Por motivos pessoais, (saúde), suspendo a publicação destes artigos. Durante mais de um ano e meio, conversamos com, VGU, dos três ramos das F.A., a todos o meu muitíssimo obrigado por se terem disponibilizado a contar as suas histórias. Bem-haja a todos.

Também o meu muito obrigado ao Director deste jornal, senhor Américo Natalino Viveiros, que desde a primeira hora manifestou total disponibilidade, bem como a todos os que neste jornal fizeram com que os artigos saíssem aos domingos.

Um Santo e Feliz Natal para todos.

 



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HONRARAM A PÁTRIA MAS A PÁTRIA IGNORA-OS

Domingo 06 de Dezembro de 2009

CRÓNICAS DA GUERRA

HONRARAM A PÁTRIA MAS A PÁTRIA IGNORA-OS

Por: Lino de Freitas Fraga

Conversamos hoje, com alguém que, apenas com 17 anos, foi brutalmente agredido e esfaqueado, quando interceptou um grupo, de gatunos, a roubar numa propriedade de seu pai aguentando-os até chegarem reforços. Deste crime resultou dois anos de recuperação e não terminar o curso de Regente Agrícola.

Paulo Teves nasceu nos Arrifes em 31 de Dezembro de 1950. Fez a escola primária na sua freguesia, ingressando de seguida no Liceu Antero de Quental e depois seguiu para a Escola Agrícola de Santarém, onde permaneceu dois anos e só não terminou o curso pelas razões referidas no parágrafo anterior.

Em Janeiro de 1970, é chamado para o serviço militar obrigatório nas Caldas da Rainha, onde tirou a recruta do curso de sargentos milicianos, seguindo de imediato, para Angola, frequentar o vigésimo terceiro Curso de Comandos, findo o qual foi integrado na 37ª. C. C., sediada em Angola.

Segundo o Paulo, o curso de comandos era francamente exigente, muito duro, difícil e mesmo por vezes violento, tanto no aspecto físico como, principalmente, psicológico, mas depois na prática, servia, e muito, nos momentos difíceis.

“Ficamos sediados no Grafanil e era daqui que seguíamos, muitas vezes de avião, para as zonas de combate”. Paulo participou em 57 operações em toda o Norte e Leste de Angola.

Quando perguntamos, de todas as operações, quais as que mais o tinham marcado, o Paulo afirma: “ Foram muitas, entre elas, uma no Leste de Angola contra as tropas da UNITA. Nós íamos com um objectivo concreto de atacar um acampamento do inimigo já referenciado, depois de encontramos vestígios da presença recente do inimigos, passamos a ir ainda com mais cuidado, mas mesmo assim, acabamos por cair numa emboscada ficando na chamada zona da morte debaixo de fogo intensíssimo. Aqui valeu a nossa preparação física e psicológica. Um colega localizou um dos locais de onde vinha o fogo e deslocou-se lentamente a rastejar, lançando uma granada que os atingiu em cheio, quando ouvimos os gritos e nos apercebemos que estavam em pânico, caímos sobre eles destroçando-os por completo infringindo pesadas baixas e apreendemos vário material de guerra, entre ele metralhadoras Kalashnikov e Driz, esta chamada, entre as nossas tropas, de “costureirinha” devido a barulho característico que fazia quando disparava”. De referir que, o grupo de combate do Paulo era composto por 30 homens e o inimigo tinha mais de 100 guerrilheiros, mesmo assim só tiveram um ferido ligeiro.

Outra operação que o marcou profundamente foi a que morreu o Alferes da Companhia. “…tínhamos assaltado e destruído, por completo, um acampamento e íamos em perseguição do inimigo, quando um tiro fortuito atingiu o Alferes, comandante do nosso grupo. Como já era ao anoitecer, não foi possível o Helicóptero fazer a evacuação, o que só aconteceu no dia seguinte logo de manhã…”. A voz do Paulo embarga, mas momentos depois recomeçamos. “ …mas, mesmo quando estava chegando o Héli, comandado pelo açoriano Alferes José Feijó, o Alferes faleceu nos nossos braços”, o Paulo emociona-se, “…foi muito, muito, duro ver morrer o nosso comandante e amigo, à mingua, e sem nada podermos fazer”.

É sabido a grande união e espírito de entreajuda que existe entre os Comandos, bem patente, ainda hoje, entre os VGU, onde quer que se encontrem e o Paulo é disso exemplo. Depois de terminar a comissão, ficou em Angola e segundo afirma, um dos momentos mais dolorosos da sua vida militar e a pior sensação que alguma vez sentiu, foi quando se despediu dos colegas comandos, até porque tinha a consciência que poderia não mais os voltar a ver. Felizmente assim não tem acontecido.

Todavia Paulo teve uma operação que, não podemos deixar de transcrever porque, mesmo na guerra, também acontecem situações tragicómicas: “Fomos para uma operação, aerotransportados, no Norte de Angola que era para durar três dias. Depois seriamos recolhidos por um Heli, mas como o avião acabou por não ir, tivemos que regressar a pé levando mais três dias, como é óbvio ficamos sem qualquer tipo de comida e água. Quando chegamos a uma aldeia, estavam a realizar um casamento, um Furriel Miliciano europeu e uma nativa, com tudo preparado e as mesas postas. Nós fomos aproximando e como estávamos mortes de fome, houve um mais atrevido que se abeirou da mesa e tirou uma fatia de bolo e comeu, os restantes quando o vimos a comer não nos aguentamos, caímos todos sobre as mesas e comemos tudo, com os noivos, familiares e convidados só a observarem, não restou nada”.

Para além de todas as operações, com emboscadas, combates, golpes de mão, etc, realça a muita fome e sede que passavam. “Chegamos a comer gafanhotos e beber água dos radiadores dos carros”. Estes homens deram tudo o que tinham e o que não tinham em defesa da sua Pátria. Passaram noites e noites, ao relento, encharcados e com muito frio, sofreram o calor tórrido do Sol de África, deixaram sangue, suor e lágrimas nos matos e muitos deixaram partes do seu corpo, abandonadas naqueles matos de África.

Mas, estes homens, hoje, são ignorados, desprezados, maltratados e até humilhados pelos “governantes” deste país e a prova, provada que, assim é, foi a redução em cerca de 50% do mísero, chamado suplemento de reforma, atribuído aos VGU, alegando que o fundo de pensões para este fim, não podia aguentar pagar os cerca de 150€, por ano, aos combatentes. Mas, é o mesmo Estado que paga milhares e milhares de euros aos seus “governantes”, como é o caso do Governador do Banco de Portugal, que ganha mais que o Governador da Reserva Federal da América. É, o mesmo Estado em que cada vez há mais corrupção. Não é por acaso que Portugal ocupa o 35º. lugar do ranking dos países mais corruptos, segundo o relatório da Transparency Internacional.

Depois de tudo porque passou ao longo da comissão, Paulo diz que não se sente psicologicamente afectado, mas que sua mãe e a esposa dizem que nunca mais foi o mesmo. No entanto concorda que ficou diferente, ferve em pouca água, quer fazer tudo muito depressa, nunca mais gostou de festas e ainda hoje as roqueiras o incomodam.

Presentemente, é Presidente da Delegação de Ponta Delgada dos Deficientes das Forças Armadas, em que está profundamente empenhado na melhoria das condições de assistência, aos deficientes e para que todos os VGU sejam tratados com o respeito e dignidade que merecem.

Um grande abraço ao amigo/camarada Paulo Teves e obrigado pela sua paciência.

 

P.S: - Fui convidado pelo Exmº. Senhor Comandante Operacional dos Açores, para um almoço que se realizou no passado dia 12 e em que estiveram presentes as delegações da Liga dos Combatentes, dos Deficientes das FA, Comandos, Batalhão Sagrado, etc. Considerei o convite, não à minha pessoa, e isso manifestei-o ao senhor Almirante, mas sim, como sento, a todos os VGU que sofrem e que não têm voz junto da opinião pública.

O meu muito obrigado ao senhor Almirante, pelo óptimo almoço e pelo excelente convívio entre todos os presentes.

 

P.S.1: – Mais uma vez, um familiar de um deficiente das Forças Armadas, que se deslocou ao Campo Militar de São Gonçalo para tratar da reparação de uma moto a que o pai, Gilberto Sousa, tem direito, não foi tratada da forma mais correcta e com a compreensão que estes merecem. No entanto, graças à intervenção do Comando Operacional dos Açores e do nosso amigo Paulo Teves Presidente da Delegação dos Deficientes das FAA, o assunto está em vias de resolução. Bem hajam.

 



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HONRARAM A PÁTRIA MAS A PÁTRIA IGNORA-OS

15 de Novembro de 2009

CRÓNICAS DA GUERRA

HONRARAM A PÁTRIA MAS A PÁTRIA IGNORA-OS

Por: Lino de Freitas Fraga 

Pela primeira vez, desde que iniciamos estes artigos, temos como convidado um Oficial Miliciano, do exército, que prestou serviço na Guiné.

Gil de Frias Sousa nasceu a 14 de Dezembro de 1943, em Vila Franca do Campo. Fez a escolaridade obrigatória na Fajã de Baixo e tirou o curso comercial na E.I.C. de Ponta Delgada.

Ainda muito novo, começou a trabalhar no escritório da uma padaria, já desaparecida, até ser chamado para o serviço militar obrigatório.

Em 07 de Setembro de 1964, seguiu para Mafra, onde tirou o curso de sargentos milicianos (CSM). Durante o curso, foi submetido duros testes escritos, psicotécnicos e de campo, para avaliar da sua capacidade de frequentar o curso de oficiais milicianos (COM). Como ficou aprovado foi frequentar o curso, passando a cadete e frequentou a especialidade de OM de Infantaria.

Terminado o COM foi colocado como Aspirante no B.I. Nº.17, mas como já era casado, consegui trocar com um colega do continente, que estava no B.I. Nº.18.

Gil depois de mobilizado para a Guiné, seguiu para Tomar onde foi constituir Batalhão (1877).

Chegou à Guiné a 10 de Janeiro de 1966, ficado a prestar serviço junto ao aeroporto de Bissau e a prestar apoio a outros Batalhões.

Algum tempo depois foi destacado para fazer protecção aos trabalhos da estrada entre Mansoa e Mansaba. Foi aqui que se iniciou a parte mais dura da sua comissão e que recebeu o “baptismo de fogo”: “Tivemos várias emboscadas e combates, mas felizmente sem consequências graves, uma das emboscadas em que fomos apanhados, foi montada por Nino Vieira, na altura guerrilheiro do PAIGC e que depois foi Presidente da Republica da Guiné”.

Mais tarde a sua companhia é deslocada para Teixeira Pinto, tendo aqui participado em inúmeras operações, quase todas com objectivos previamente bem definidos. Numa dessas operações, numa atitude proactiva contra o inimigo, ao atravessar uma bolanha (pântano) a meio da mesma, foram fortemente atacados pelo inimigo que se encontrava no lado oposto. Debaixo de fogo serrado, e, em vez de se acomodar até que este acalmasse, o Alferes Miliciano Gil, seguido depois por alguns camaradas voluntários, num impulso de coragem e de determinação, lançou-se em perseguição do inimigo, destroçando-o por completo, apreendendo vário material de guerra e obrigando o que ainda restava do inimigo, a fugir para não serem abatidos ou capturados.

Esta operação, no seguimento de várias outras onde a sua acção e determinação já haviam sido referenciadas pelos superiores hierárquicos, levou a que lhe fosse atribuída a medalha da Cruz de Guerra. Gil numa atitude de humildade faz questão de referir: “Quando eu fui condecorado, no meu grupo de combate composto por trinta homens, mais de metade já tinham sido condecorados, o que é bem elucidativo da capacidade, empenho e espírito de sacrifício destes militares que, não estavam ali para passar o tempo, mas sim para servirem a Pátria onde e quando ela necessitava”.

 

Realça, também, como momentos marcantes as despedidas. “Quando saiu dos Açores foi muito duro as despedidas da família e da minha mulher, mas, talvez para eles ainda fosse pior. Porém, a partida de Lisboa, com milhares de pessoas a gritarem, era francamente chocante embora eu não tivesse ninguém de família presente. Só quem passou pode avaliar”.

Uma afirmação que me tocou, pessoalmente, e que é bem reveladora do carácter humano deste homem foi quando disse com a voz um pouco trémula: “Um momento muito triste e muito difícil foi quando me despedi dos meus camaradas/amigos da guerra que, durante mais de dois anos, tinham sido a minha família, para mais, sabendo que não os voltaria a ver uma vez que eram todos do continente”.

Gil teve momentos muito difíceis, vendo morrer colegas, muito jovens, a seu lado e outros a ficarem gravemente feridos, mesmo mutilados, diz que tudo isto deixou marcas e traumas, embora não sofra do chamado stress pós-traumático de guerra, mas estas imagens ficaram gravadas para o resto dos seus dias.

Regressado à actividade civil, foi um dos fundadores da delegação de Ponta Delgada da Liga dos Combatentes, juntamente com dois camaradas já falecidos.

A sua opinião é que os Veteranos da Guerra do Ultramar (VGU) deviam ter mais apoio do Estado Português, no sector na saúde, afirma mesmo: “Deviam ter um atendimento personalizado, prioritário e especializado no Serviço Nacional de Saúde, atendendo há especificidade das suas mazelas, que foram adquiridas em guerra ao serviço da Pátria”.

Antes de terminar, Gil destaca um aspecto curioso do desconhecimento da localização dos Açores no contesto Nacional.

“Quando fui convocado para ir receber a condecoração, Cruz de Guerra, o ofício referia que as guias para o Caminho-de-ferro, Ponta Delgada/Tomar/Ponta Delgada, seriam enviadas pelo correio”.

Gil acabou por ser condecorado na sua terra Natal, no Largo da Matriz, em 10 de Junho de 1968, conforme um das fotos o documenta.

Um grande abraço ao camarada/amigo Gil e o nosso muito obrigado pela sua disponibilidade em conversar connosco.

 



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HONRARAM A PÁTRIA MAS A PÁTRIA IGNORA-OS

Domingo, 08 de Novembro de 2009

CRÓNICAS DA GUERRA

HONRARAM A PÁTRIA MAS A PÁTRIA IGNORA-OS

Por: Lino de Freitas Fraga

A Guerra do Ultramar foi uma guerra subversiva, e, para conseguir neutralizar a guerrilha, para além de a combater no terreno, são necessárias alguns procedimentos, nomeadamente, tentar cortar as suas linhas de apoio e abastecimento, em especial quando este vem de países vizinhos, casos da Guiné, Angola e Moçambique.

Desde o início de 1969 que, as autoridades militares portuguesas, em Bissau, tinham conhecimento da entrega, pela URSS, à Guiné Conakry e ao PAIGC, de vários barcos de guerra com muita mais capacidade de fogo e de velocidade, quarenta nós (40KT), que as nossas unidades. Perante este cenário, havia que agir rápido e em força.

Assim, em Agosto do mesmo ano, começou a ser preparada pelo Comandante Alpoim Galvão, a operação MAR VERDE, que teve vários objectivos, entre eles, destruir todos os barcos de guerra estacionados no porto da Guiné Conakry e libertar vinte e seis (26) militares portugueses presos nas prisões daquele País.

Não vou aqui escalpelizar sobre os preparativos e finalidades de toda esta operação, até porque já muito foi dito e escrito sobre a mesma e por pessoas muito mais qualificadas, como o próprio Comandante Alpoim Galvão e Saturnino Monteiro, entre outros.  

Há mais de um ano, que tentava “descobrir”, um Veterano da Guerra do Ultramar que, tivesse participado nesta operação, “MAR VERDE”, na Guiné.

Graças à informação do Jorge do Nascimento Cabral, também ele combatente na Guiné, consegui o que mais desejava, ou seja, conversar com um participante activo deste feito heróico. Não foi fácil que o nosso interlocutor aceitasse falar sobre este tema, aliás, fez questão de afirmar: “Só aceito falar sobre o tema da minha experiência na Guiné, com o objectivo de prestar homenagem a todos os Combatentes da Guerra do Ultramar e na tentativa de, num esforço conjunto, envolver e despertar todas as pessoas, para o apoio aos deficientes das Forças Armadas e a todos aqueles que continuam a sofrer as graves sequelas da Guerra”.

Nascido em 1947, na ilha de S. Miguel, Frédy, nome fictício, estava a meio dos seus estudos, quando foi chamado para prestar o serviço militar obrigatório.

Em Fevereiro de 1970, apresentou-se na Escola Naval do Alfeite, onde tirou o Curso de Oficial da Reserva Naval e três meses depois, foi colocado na Escola de Fuzileiros onde tirou a especialidade de Fuzileiro Especial, promovido depois a Aspirante.

Quase de seguida, é mobilizado para a Guiné, onde chega a 21 de Outubro de 1970 e é colocado no destacamento de fuzileiros especiais africanos como 3º. Oficial, mas pouco depois, segue para as ilhas Bolama e Soga, no Arquipélago dos Bijagós.

Frédy, nem podia imaginar o que o esperava menos de um mês depois de chegar à Guiné. O secretismo era total, mas algo de inquietante pairava no ar, tanto mais que, quem ali chegava, não voltava a sair por uma questão de sigilo absoluto da operação.

Só no dia 20 de Novembro de 1970 é que foi informado da operação e como esta se iria desencadear. Cerca das 19H30, uma força naval constituída por seis (6) unidades, quatro (4) LFGs e duas (2) LDGs, sob o comando do capitão-tenente Alpoim Galvão, largaram da ilha Soga, rumo a Sul.

No dia 21, por volta das 20H00, avistaram o farol da ilha Loos. Pouco depois os navios dispersam e seguem para os locais previamente definidos.

A ordem chega, o desembarque terá início a 01H30 da madrugada do dia 22. “Desembarcamos em botes de borracha e cada qual seguiu para os objectivos pré-determinados”. Aqui, Frédy, pára por momentos, olha o infinito e, num tom aparentemente calmo dispara: “Desculpa, mas não te vou contar onde desembarquei nem qual foi a minha participação, directa, nesta delicada operação”.

De referir que ao longo da nossa conversa, que demorou horas, Frédy sempre falou no colectivo, nota-se perfeitamente que, além de não gostar de falar sobre o tema, não gosta de falar de si próprio, nem de protagonismo e muito menos de heroísmo. Como se diz na gíria, nunca puxou pelos galões, bem pelo contrário, detesta fotografias, pelo que nos é impossível apresentar qualquer foto, do próprio.

“Chegados a terra, um grupo, comandado pelo segundo-tenente Rebordão de Brito, foi encarregue de destruir os barcos que estavam no porto. Minutos depois todos os barcos explodiram elevando-se duas grandes bolas de fogo com explosões que pareciam fogo de artifício”. Foi um golpe da mão pleno de sucesso e magistralmente executado.

“Outro grupo dirigiu-se para a prisão de La Montaigne, onde estavam detidos os 26 militares portugueses, que após um curto mas violento combate, foram libertados”. Frédy pára uns momentos e diz: “Ninguém pode imaginar a alegria destes homens quando se viram em liberdade, depois de vários anos detidos na escuridão das celas da Guiné Conakry. Nem queriam acreditar, foram momentos muito, muito marcantes, tanto mais que vinham física e psicologicamente muito debilitados, aliás, arrasados”.

Concluída a operação, regressaram à Guiné portuguesa com a plena consciência do dever cumprido, aliás, Saturnino Monteiro afirma mesmo: «… o ataque a Conakry de 22 de Novembro de 1970 foi a única operação realizada pela nossa Armada desde a batalha do Cabo de São Vicente (1833)… Foi também a ultima acção naval em que os portugueses tiraram partido do domínio do mar para tentar ganhar uma guerra». Esta operação do ponto de vista operacional e de estratégia militar, foi um êxito espectacular.

Mas, Frédy teve muitos outros momentos marcantes, com várias emboscadas e muitos combates, onde viu morrer colegas a seu lado e outros a ficarem gravemente feridos. Embora não gostando de falar destes acontecimentos, encontra-se empenhado na ajuda daqueles que necessitam de apoio material e psicológico que, infelizmente, são muitos.

Saturnino Monteiro escreveu: «… a grande figura desta operação, foi o comandante Alpoim Galvão, um dos mais notáveis marinheiros … portugueses dos últimos séculos, cujas acções na Guiné nos fazem vir à lembrança aqueles rudes indómitos cavaleiros de outros tempos…».

Estou de acordo com o Saturnino, mas considero que nesta magnifica operação militar, foram todos heróis desde Alpoim Galvão que comandou a operação, até os cozinheiros. Que o digam os prisioneiros libertados e todo o pessoal envolvido na operação quando, esfomeados, regressaram aborde dos navios.

O Primeiro-Ministro inglês Winston Curchill, numa visita a uma unidade militar na segunda Guerra Mundial, disse mais ou menos isto: «… para ganhar uma guerra, tão importante é o General que comanda as tropas como o cozinheiro que as alimenta…».

Como é óbvio, muito mais havia para descrever sobre esta histórica operação, mas por motivo de espaço e, também, para não nos tornarmos fastidiosos ficamos por aqui, enviando um grande abraço ao nosso amigo/camarada Frédy e o nosso muito obrigado pela maneira paciente como se dispôs a nos aturar durante horas. Bem-haja.

 



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VIDAS DESTRUÍDAS ALMAS SEM VIDA

Domingo, 25 de Outubro de 2009

CRÓNICAS DA GUERRA

VIDAS DESTRUÍDAS ALMAS SEM VIDA

 

Por: Lino de Freitas Fraga

Depois das férias de Verão, voltamos às nossas crónicas, onde o estigma da guerra é bem patente em todos os que por lá passaram. Mas, voltamos, também, com uma má noticia para todos os Veteranos da Guerra do Ultramar, (VGU), que recebiam o, MÍSERO, chamado “suplemento de reforma”. O governo baixou para cerca de 50% esse suplemento. Não está em causa, só, a redução, mas sim, o descaramento com que nos tratam, porque muitos destes “senhores” que estão hoje no poder, ainda andavam de fraldas, ou em calções, passeando-se pelas praias deste País, quanto os VGU, andavam nos matos de África a arriscarem as suas vidas para defenderem a Pátria. Bem me apetecia dizer ao senhor primeiro-ministro e ao seu governo, onde ele devia meter o valor que nos enviou, mas só não o faço por uma questão de educação e de respeito para com os nossos leitores, porque vontade não me falta.

O nosso interlocutor, de hoje, é Manuel das Pedras Rita que nasceu no Corvo a 04 de Fevereiro de 1948, depois de concluir a 4ª. Classe do ensino primário, trabalhou na agricultura, mas ainda adolescente, inicia-se na construção civil ao lado de seu pai que era mestre-de-obras.

Em 17 de Junho de 1969, apresentou-se no B.I.I. nº.17, em Angra do Heroísmo, para cumprir o serviço militar obrigatório onde fez a recruta e especialidade.

Pouco tempo depois, foi mobilizado para prestar serviço em Angola, mas antes passa por Santa Margarida onde tirou o IAO, chegando a Luanda depois de 12 dias de viagem no porão do Navio Pátria.

Chegado a Angola segue para o Grafanil, onde se mantém três meses a fazer serviço na periferia de Luanda, findos os quais é destacado para a coitada de Mucuso, no Sul de Angola na fronteira com a Namíbia, tendo-se mantido ali cerca de um ano, seguido depois para um acampamento entre Ambriz e Ambrizete durante uns meses e finalmente deslocado para São Salvador até ao fim da comissão.

Manuel teve uma comissão calma e sem grandes sobressaltos, mas quanto ao momento mais marcante, foi aqui, entre as duas localidades, atrás referidas, que teve a situação mais embaraçosa, quando foi em auxilio de outro pelotão que tinha caído numa emboscada e à chegada deparou com um colega de infância, o José Rodrigues, caído no chão inanimado, pensou que estava morto, felizmente, estava só em estado de coma e sem consequências graves. Também realça negativamente o transporte 12 dias no porão de um navio e chegados a Luanda serem levados para o Grafanil num comboio sem condições.

No entanto, Manuel elege com o momento mais difícil de todos, a despedida dos pais e da noiva. “Quando me despedi de minha mãe, cheguei à porta e olhei para trás e ela estava lavada em lágrimas num canto da cozinha”. Manuel emociona-se e não consegue conter as lágrimas. Com dificuldade, procuro não me deixar envolver pela emoção e tento aliviar a pressão, digo-lhe que é normal o que está sentindo e que mais de 90% dos amigos/camaradas que tenho entrevistado fazem o mesmo.

Mudamos de conversa e instantes depois recomeçamos. “Pensei que poderia não mais voltar a vê-la, a despedida de meu pai foi já no barco, pois era ele o dono e mestre, imagino o que lhe terá custado largar do navio e voltar a terra. Era muito duro para jovens de 21 anos e para as nossas famílias. A chegada, também, foi emocionante, mas a alegria de voltar superava tudo”.

Depois de regressar nuca sentiu qualquer tipo de problema psicológico, nem questões de dormir, o que, felizmente, é caso único, de todos os camaradas que já entrevistei.

Embora não conheça, pessoalmente, nenhum caso de Veteranos que vivem com graves problemas psicológicos, Manuel, acha que deviam ser apoiados e tratados pelo Estado Português.

Em Abril de 1972 regressa de Angola, em Julho casou e em Setembro emigra para os USA, à procura de um futuro melhor para si e para a família, aí permanecendo durante 15 anos e onde teve duas filhas.

Regressado às origens, constrói a sua própria casa, que muitos consideravam excessivamente grande, hoje transformada em Residencial e diga-se em abono da verdade, de excelente qualidade.

Esta conversa foi realizada no passado mês de Agosto, mas só agora a publicamos devido ao Manuel estar envolvido nas eleições autárquicas e não queríamos, de forma alguma, que esta pudesse ser considerada com qualquer tipo conotação politica.

No entanto, aproveito para dar os meus parabéns, ao Manuel, pela sua eleição, que possivelmente quando este artigo sair, já estará empossado como Presidente da Câmara Municipal do Corvo.

 



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VIDAS DESTRUÍDAS ALMAS SEM VIDA

Domingo, 28 de Junho de 2009

CRÓNICAS DA GUERRA

VIDAS DESTRUÍDAS ALMAS SEM VIDA

Por: Lino de Freitas Fraga

A finalizar as conversas que tivemos, na Salga, com os três Veteranos de Guerra da Guiné, hoje é vez do Moisés.

Moisés Pereira Luz nasceu a 30 de Março de 1949 na freguesia dos Ginetes. Tirou a 4ª. classe e depois começou a trabalhar, na lavoura, com o pai, até ser chamado para o serviço militar obrigatório.

Foi incorporado no B.I. Nº.17 em Angra, no dia 2 de Janeiro de 1970, onde tirou a recruta e a especialidade.

Até ao dia do acidente toda a história é igual à do Tiago e do Alegre, pelo que vamos passar à frente.

Como anteriormente foi dito, no terceiro dia, saíram fazer o primeiro patrulhamento, mas ainda não tinham percorrido mais de 1km, quando foram atingidos por uma granada de bazuca, Moisés também foi severamente “castigado” por esta. “Eu fiquei com as duas pernas e o braço direito partidos e com vários estilhaços no corpo. Nos primeiros momentos, fiquei confuso, pensei que tinha ficado sem as pernas, até porque não me podia mover porque o colega Braga Melo, de Santa Maria, que foi atingido na cabeça, ficou caído em cima de mim inconsciente, ficando em coma bastante tempo. Naquele momento, pensei que a vida tinha acabado ali, foi um dia muito difícil, não só para nós feridos, mas também para todo o pelotão, ficaram todos muito abalados”.

Horas depois foi evacuado, de avião, para o Hospital em Bissau, onde foi submetido a uma cirurgia.

Sete semanas depois de operado foi transferido para o anexo de Campolide, onde esteve internado vinte e um mês, principalmente por causa do braço ao qual foi submetido a mais duas cirurgias, a ultima das quais no Hospital da Terra Chã, em Angra, pelo famoso e sempre lembrado Dr. Garrett, que lhe garantiu que se tinha sido logo no inicio tinha ficado completamente bom, uma vez que os estilhaços que lhe partiram o braço, atingiram os tendões, acabando por ficar com a mão imobilizada, sendo-lhe atribuída uma invalidez de 60,27%.

Quando aos momentos mais marcantes de toda a sua passagem pela tropa, Moisés pára por instantes e a voz embarga, vemos as lágrimas nos seus olhos e responde. “Foi as despedidas de meus pais e irmãs, mas quando minha irmã me foi visitar a Lisboa, também fiquei muito emocionado”.

Moisés, só ao fim de vinte e um mês é que regressou a casa e é essa chegada que também o marca definitivamente. “Quando cheguei ao aeroporto estavam à minha espera minha mãe e as minhas irmãs, não foi fácil, mas como minha irmã já me tinha visto e eu vinha a andar bem, já não foi tão violento para elas. Mas, meu pai que, por motivos de saúde, ficou na freguesia, quando me vi foi muito, muito duro, só quem passou é que pode compreender”. Moisés pára para tentar recompor-se, diga-se que dos três amigos, é o que se emociona com mais facilidade, instantes depois recomeça: “Mas, o que mais me chocou e emocionou, foi, estava eu ainda no Hospital em Lisboa, quando soube que minha mãe tinha feito uma promessa, por minha causa, a Santo Cristo dos Milagres, de dar uma volta de joelhos ao”, a voz volta a embargar ao Moisés e temos que parar uns momentos, “ ao Campo de São Francisco e que a estava cumprindo, comoveu-me muito. Ainda hoje não consigo ver as pessoas a pagarem aquelas promessas”.

Moisés, foi uma pessoa com muita força, que não se deixou abater pela fatalidade. “Eu depois de ferido, com o braço direito imobilizado, só pedi para me escreverem duas cartas, depois adaptei-me e comecei a escrever com a mão esquerda, não foi fácil mas consegui”.

Regressou, como é natural, com traumas. “Eu dormia muito mal e quando dormia acordava em sobressalto, qualquer barulho estranho me perturbava, principalmente o rebentamento das roqueiras que me deixavam em pânico, ainda hoje me incomodam”.

O que Moisés nunca senti, foi complexos de inferioridade, como trabalhava na lavoura antes de ir para o serviço militar, sabia que não podia continuar e com o apoio do pai, a primeira coisa que fez foi mostrar que era capaz e tirar carta de condução. Depois consegui arranjar um trabalho de cobrador de uma empresa, porque era um serviço que podia fazer perfeitamente. Casou e teve dois filhos, passando a fazer uma vida normal.

Mas, Moisés não tem dúvidas que recuperou psicologicamente, graças ao apoio da família, pais irmãs e depois da esposa e dos filhos.

Agradeço ao Moisés, não só, por se ter disponibilizado para nos contar a história da sua passagem pela guerra, mas também, por nos ter levado junto do nosso amigo Tiago para podermos transcrever a situação complicada em que se encontra.

Foi uma atitude nobre, que muito me sensibilizou e só exequível por homens e amigos com um H e A muito, muito grandes, como são o Moisés e o Alegre. O meu muito obrigado e já mais esquecerei a vossa atitude.

 



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VIDAS DESTRUÍDAS ALMAS SEM VIDA

Domingo, 14 de Junho de 2009

CRÓNICAS DA GUERRA

VIDAS DESTRUÍDAS ALMAS SEM VIDA

Por: Lino de Freitas Fraga

A nossa conversa, de hoje, foi realizada no Concelho de Nordeste, Freguesia da Salga, em conjunto com três V.G.U, Tiago, Alegre e Moisés, que têm uma história, pouco agradável, em comum e que 39 anos depois mantêm uma amizade impressionante.

Pensamos incluir os três num só artigo, mas dado o espaço que dispomos, não seria possível descrever, com a minúcia que se impõe, as historias destes HERÓIS, por isso, decidimos por fazer cada um em separado.

Tiago Luís Macedo Melo que nasceu a 25 de Julho de 1949 na freguesia da Salga, depois de concluída a 4ª. classe, trabalhou na lavoura, até ser chamado para o serviço militar obrigatório, apresentando-se no B.I. Nº.17 em Angra, no dia 2 de Janeiro de 1970, onde tirou a recruta e a especialidade.

Pouco tempo depois é mobilizado para a Guiné, para onde segue no dia 08 de Agosto, no Carvalho Araújo, integrado na companhia nº.2753, chegando à Guiné a 17 do mesmo mês. A sua companhia é instalada no D.G. Adidos e passam a fazer patrulhamento nos arredores de Bissau, mas seis meses depois são destacados para a zona de Mansóa para fazerem protecção à construção de uma estrada para Farim.

No entanto, as coisas começaram a não correr muito bem logo no dia da chegada, ainda não tinham retirado todo o material dos carros e já estavam a ser atacados com peças de morteiro, o que causou algum nervosismo, pois nem conheciam os abrigos do aquartelamento e no segundo dia, logo de manhã, novo ataque de morteiro.

No terceiro dia, saíram fazer o primeiro patrulhamento de protecção, mas só tinham percorrido cerca de 1km, quando foram atacados pelo inimigo com granadas de bazuca e com consequências muito graves, nem tiveram tempo de reagir.

O Tiago ficou sem as duas pernas, sem dois dedos de uma mão e poli estilhaçado. “Eu era o da frente quando fomos atingidos, segundos depois tive a noção que tinha perdido as duas pernas”, Tiago emociona-se e paramos por instantes, “fiquei desesperado e a minha primeira reacção foi pedir para me matarem, gritei várias vezes, «MATA-ME ALEGRE, MATA-ME ALEGRE», que eu estou desgraçado”. Só que Alegre, também estava gravemente ferido e mesmo que não estivesse não o faria. “Eu não desmaiei, e por isso tive consciência da minha situação, só depois de perder muito sangue, é que desfaleci”.

Foi evacuado, de avião, para Bissau e submetido a uma intervenção cirúrgica.

Três semanas depois, foi transferido para Lisboa, para o anexo de Campolide, onde permaneceu sete meses. Quando as pernas cicatrizaram, foram-lhe colocadas as próteses, às quais se adaptou bem e foi-lhe atribuída uma incapacidade de 91,27%.

Quanto aos momentos mais difíceis e marcantes, exceptuando, obviamente, o brutal acidente que já citámos, não tem dúvidas: “Foi a partida com as despedidas da minha família e da minha namorada…”. Tiago pára um instante e atira. “Mas, os momentos mais violentos, mais tristes e chocantes foi quando voltei sem as pernas e vi a minha noiva no aeroporto e a chegada a casa. Meu pai…”. Tiago emocionasse, paramos por instantes, tento conversar com o Alegre e Moisés, mas afinal na sala estavam todos com as lágrimas nos olhos, incluindo a esposa que também assistia à conversa, mas D. Eduarda, arranjou boa desculpa, “tenho os olhos vermelhos porque tenho estado picando cebola para o nosso almoço”. Minutos depois conseguimos continuar. “Regressei muito debilitado fisicamente, quando cheguei aqui à freguesia e meu pai me viu, correu para mim e queria pegar-me ao colo, lavado em lágrima”, nova pausa e mais lágrimas, ”coitado eu imagino o que ele sofreu quando me viu assim”.

Tiago regressou, também, com traumas psicológicos, “…eu não dormia, andava agressivo, tudo me perturbava foi muito, muito difícil aceitar a situação”.

Tiago montou a sua oficina auto, casou e tem três filhos, passando a fazer uma vida normal, afirma que, só ultrapassou todos estes problemas, graças à grande mulher que tem tido a seu lado e aos filhos.

No entanto, no passado dia 26 de Dezembro de 2008, Tiago, teve um AVC e ficou paralisado do lado esquerdo e por isso está imobilizado numa cadeira de rodas emprestada.

Se é uma situação complexa para qualquer pessoa, para o Tiago ainda mais, pois não consegue aguentar-se em pé e não tem força na mão para se movimentar na cadeira. Está confinado a casa e completamente dependente, o que o desanima e até o torna mais aborrecido, segundo as suas próprias palavras.

Podemos confirmar que o Tiago, realmente, tem uma família espectacular, todos os dias de manhã, um dos filhos antes de ir para os seu trabalho, vai a casa do pai colocar as próteses ao pai, bem como dar-lhe banho, uma vez que a esposa não pode.

Como já escrevi no artigo do passado domingo, Tiago, como deficiente das Forças Armadas, deslocou-se à Zona Militar dos Açores, em S. Gonçalo, para requerer a atribuição de uma cadeira, mas não foi recebido da forma e com o respeito que merece.

Posteriormente à nossa conversa, Tiago foi informado por um Capitão do Centro de Recuperação em Lisboa, que o assunto tinha sido remetido para o departamento financeiro e que esperava estar resolvido até ao fim do mês. Voltaremos ao assunto.

Obrigado ao Tiago e à família pela forma simpática como nos receberam e pelo excelente almoço que fizeram questão de partilharem com nós, o Alegre e Moisés.

 



publicado por LFF às 12:40
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